Fazer acontecer

Blog do Célio Azevedo

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Terra Blog

11.04.09

Ter ou não ter

 

No mundo atual, onde muitos valorizam o ter em detrimento do ser, sentimentos ficam de lado, emoções são escondidas e amores são distorcidos. Poucos se valorizam pela questão do ser, pelo seu grau de instrução, aliás, quase todo mundo busca um canudo para poderem aumentar os seus poderes aquisitivos, e poucos para fazer uma evolução individual, de conhecimento.


Porque jogamos tudo fora? Porque descartamos tudo o que chega a nossas mãos como a parte do papel que segura uma etiqueta ou uma lâmpada queimada, um celular velho ou mesmo pessoas? A síntese dessas e outras perguntas relacionadas ao assunto é o substantivo masculino “dinheiro”, que por sinal, prova que até o dinheiro é machista.
Partindo agora para a visão política, deve-se levar em consideração que nos anos 1990 o povo assistiu a derrocada do projeto do socialismo real pela tv, que triste fim para um projeto que na teoria procurava acabar com as desigualdades sociais no mundo, projeto este que a pelo menos por um bom tempo ainda não está pronto para funcionar, já que as economias do bloco socialista sofriam quedas de crescimento expressivas antes mesmo da instalação da Perestroika.


Voltando para o mundo real, apesar das deficiências, com a queda desses regimes a globalização se fortaleceu mais e cresceu com a velocidade da Internet e hoje, num país como o nosso, com tanto atraso econômico, estamos entre os que mais fazem compras pela Internet.


A solução entre todas já discutidas pelos analistas sociais, políticos e cientistas políticos está em sermos bons educadores, mostrarmos que o ser é mais importante que o ter, que vale mais um coração apaixonado do que um carro importado, apaixonado pela sua causa também vale, pois devemos todos ter uma, até porque os humanos possuem criatividade pra isso.


Mas o que ensinar aos alunos, mentes do amanhã: ensinar a ser mais humano, a valorizar ao próximo pelo o que é. É se tirar um pouco de nossas mentes a rotina e enxergarmos também o mundo real. O conhecimento cura o hábito do consumo excessivo, por outro lado, a alienação se usa consumismo como “válvula de escape”, e é preciso “mudar” para “mudar o mundo”, e só mudamos pela base que é a educação em qualquer tanto básico, como médio ou universitário.

 

Célio Azevedo é Jornalista e Docente Superior.

13.11.08

Crônicas de Célio Azevedo - A favor da Vida ...:::

Sobre o Aborto

 

De uma coisa tenho certeza, eu sou plenamente a favor da vida. Mas o que é a vida senão um sistema nervoso complexo integrado em todo um organismo ou vários vivo(s)? Ou seria a vida uma bolha formada na água que impele e expele líquido? Isso é um mistério ainda não resolvido. Há pontos em que eu concordo com quem é contra o aborto, sobre a questão de haver cerebelo num embrião. Bem lhe digo uma coisa: O cerebelo só responde por questões básicas como alguns reflexos.

 Quanto à consciência, ela só aparece no desenvolvimento completo da parte exterior do cérebro, característica adquirida após milhões e milhões de anos por conta da seleção natural das espécies. Senão, estaríamos hoje ainda abaixo dos macacos.

A questão é mais social, política e religiosa do que teórica, e é a igreja católica que critica mais o avanço da ciência, que é a vanguarda nesse ponto. Eu sou contra um aborto quando este uma vez é realizado por uma mulher após três meses de gestação, pois é altamente antiético, mas sou a favor da legalização do aborto no Brasil até porque isso favoreceria com que muitas clínicas que são absurdamente verdadeiros açougues fechassem.

Mas pense no que ser contra a legalização acarreta, seríamos contra também as pesquisas com células tronco embrionárias pelo mesmo motivo. Pense em como essas pesquisas seriam úteis para curar diversas doenças como vários tipos de câncer. Os países mais avançados tecnologicamente investem em pesquisas no ramo, e só o Brasil (que é um país católico) embora possua um Estado laico ficaria atrás do desenvolvimento da humanidade? Pense que nem todos os casais possuem condições de criar filhos nesse mundo. Há pessoas esclarecidas, com ótima cultura, mas nem todos infelizmente possuem bons valores.

Por fim, não podemos deixar que este tema sobre a legalização do aborto fique na discussão apenas na câmara dos deputados ou do senado, devemos trazer também este tema para a sociedade debater, quem é contra ou quem a favor deve manifestar as suas opiniões.

Conheci no meio político mulheres grávidas que defendiam a legalização do aborto no Brasil. Assim, apenas nós brasileiros esclarecidos traçaremos o caminho para o futuro, discutindo na nossa democracia este e vários outros temas que envolvem o futuro de nosso país.

Um músico na noite.

Ontem dia 13 de novembro de 2008 o policiamento estava bastante ostensivo na cidade do Rio de Janeiro, o que até justifico o fato por conta de eu considerar o Rio a cidade mais violenta do país. Um policial me parou por volta das 00:30 hs para me revistar, para exercer algo no qual ele neologisticamente denominou "dar uma geral".

Após esta revista quase "soviética" ele concluiu que não havia nenhuma substância ilícita em meu porte. A questão que eu deixo é essa: Será que justifica o fato de alguns policiais serem pouco educados e de levantarem o tom de voz na hora de abordar um cidadão?

Afinal, pagamos por um serviço pelo qual os policiais exercem, já que passaram em concurso público. O trabalho da polícia é pra ser respeitado, e é excencial para a manutenção da ordem pública, mas essas atitudes só degradam ainda mais a imagem da segurança pública no Rio.

Deixo para vocês uma canção do Renato Russo que ele fez para a banda Capital Inicial, no intuito de criticar a polícia na época da ditadura militar. De lá para cá o que mudou?

Veraneio Vascaína

Cuidado pessoal, lá vem vindo a veraneio
Toda pintada de preto, branco, cinza e vermelho
Com números do lado, e dentro dois ou três tarados
Assassinos armados e uniformizados
Veraneio Vascaína vem dobrando a esquina

Porque pobre quando nasce com instinto assassino
Sabe o que vai ser quando crescer desde menino
Ladrão para roubar ou marginal para matar
"Papai, eu quero ser policial quando eu crescer"

Se eles vêm com fogo em cima é melhor sair da frente
tanto faz, ninguém se importa se você é inocente
Com uma arma na mão eu boto fogo no país
E não vai ter problema,eu sei, estou do lado da lei

Cuidado pessoal, lá vem vindo a veraneio
Toda pintada de preto, branco, cinza e vermelho
Com números do lado, e dentro dois ou três tarados
Assassinos armados e uniformizados

Veraneio Vascaína vem dobrando a esquina
Veraneio Vascaína vem dobrando a esquina
Veraneio Vascaína vem dobrando a esquina.

04.06.08

Músicas ...:::

Boa tarde,

Recentemente montei no site Myspace um esquema de reprodução das minhas músicas pessoais, e no Youtube também. Para quem quiser escutar minhas canções no myspace acesse, se quiser no Youtube basta digitar Célio Azevedo:


http://www.myspace.com/CelioAzevedo

Um abraço a todos,

Célio Azevedo.

03.06.08

A Imprensa no Brasil e o capitalismo ...:::

A evolução da Imprensa do Brasil está diretamente relacionada ao advento da Corte de D. João, que fez com que parte da imprensa brasileira surgisse com a proteção oficial do império. O jornal Gazeta do Rio de janeiro é fundado no dia 10 de setembro de 1808, defendendo a corte de Portugal.

A história do jornalismo brasileiro também é marcada por lutas, Hipólito José da Costa funda o jornal Correio Braziliense em junho do mesmo ano, ou seja, três meses antes da fundação do Gazeta do Rio de Janeiro. O jornal publicado em Londres pregava a libertação do Brasil de Portugal e entrava escondido nos porões dos navios que transportavam mercadorias e escravos (SODRÉ, 1999).

Até 1999, a data de fundação da imprensa brasileira era comemorada no dia 10 setembro, em referência ao Gazeta do Rio de Janeiro. Hoje, a comemoração acontece no dia primeiro de junho, dia da fundação do Correio Braziliense.

Porém, para se analisar a imprensa brasileira, é preciso compreender o início da formação da imprensa no mundo, e que sua expansão está diretamente relacionada com o desenvolvimento do capitalismo.
Segundo João Batista Natali (2004), o jornalismo impresso, assim como o jornalismo internacional, que nos primórdios do jornalismo seria o único tipo de jornalismo, não nasceu com o capitalismo.

O mercantilismo teria precisado do jornalismo, quando ocorreu o florescimento rápido das folhas de notícias impressas que eram vendidas a quem quisesse comprar, e não mais dentro de um mesmo conglomerado comercial e financeiro de clientes preferenciais, e sim, para um grupo indistinto de pessoas mais tarde chamadas de agentes econômicos .

Sabe-se que o jornal impresso foi uma das primeiras publicações do mundo, assim como a Bíblia. A imprensa já teria existido desde o século I, através do exemplo do Acta Diuma dos romanos, que trazia diversos assuntos, como obituários, notícias do governo e crônicas esportivas (SODRÉ, 1999).

Lage (1987) diz que a imprensa, como um todo ou em grande parte, foi o resultado das apropriações e desenvolvimentos de recursos técnicos criados por outras culturas , ou seja, a imprensa já existiria como possibilidade material muito antes da exigência social que a fez brotar.

A primeira publicação em papel teria sido inventada na China, o Notícias Diversas, que foi formado em 713 D. C, em Pequim. Em 1041, lá foi inventado também o tipo móvel, porém a iniciativa não conseguiu se espalhar pelo mundo, pois o alfabeto chinês seria muito mais complexo que o latino. (SODRÉ, 1999).

O papel já era conhecido e usado nos países orientais, Pi Cheng já utilizava caracteres tipográficos móveis de cerâmica entre 1040 e 1050, depois, passaram a fazer o mesmo no Turquestão até 1280. Os primeiros jornais foram publicados na Alemanha, seriam os Avvisi, que eram folhas manuscritas a favor dos ricos da época, assim como as Zeitungem, nos séculos XIII e XIV (SODRÉ, 1999).

Portanto, a afirmação de que a imprensa não existia antes de Gutenberg é contestável.  Segundo Sodré, todas as invenções, como a de Gutenberg, resultaram de uma necessidade social, que o desenvolvimento histórico gerou e que estava vinculado à ascensão da burguesia em seu sentido mercantilista (SODRÉ, Nelson, História da Imprensa no Brasil, pg. 2, 1999).

A imprensa do século XV possuía apenas interesse a elementos de classes e camadas numericamente reduzidas, o desenvolvimento da imprensa teria sido rapidamente desenvolvido, porém, facilmente controlado pelas autoridades do governo.

No entanto, poderosas forças econômicas empenharam-se em debilitar esse controle, eram as forças do capitalismo em ascensão: o princípio de liberdade de imprensa, que foi antecipado na Inglaterra e que seria encontrado, então, tanto na Revolução Francesa quanto no pensamento de Jefferson nos EUA, que correspondia aos anseios da Revolução Americana (SODRÉ, 1999).

A ascendente burguesia da época precisava expandir seus domínios pela Europa, a fim de derrubar o feudalismo e instaurar o capitalismo no mundo. Necessitava de heróis que personificassem os ideais da sociedade moderna que nascia, sendo Gutenberg, um bom exemplo do burguês empreendedor.

Ainda em Lage (1987), o mais antigo predecessor do jornalista moderno surgiu na Itália do século de Petrarca, os burgos da Costa Ocidental, enriquecidos pelo comércio com os navegadores árabes, desenvolveram uma forma nova de vida, baseada na concentração urbana .

A leitura e a escrita passaram, portanto, a ser ferramenta de muitos para se poder atuar em uma civilização que crescia seguindo os passos do mercantilismo, na expansão do comércio das indústrias pelo mundo.

Ainda em Natali (2004), em seu livro Jornalismo Internacional, é fundada na França, em 1835, por Charles Havas, a primeira agência de notícias - a atual AFP. A agência servia para a tradução de informações publicadas por outros jornais europeus e para uso dos jornais franceses. Depois esta teria passado a captar as informações com equipes próprias para reportagem .

Em 1851, o alemão Paul Julius Reuter, que era funcionário da AFP, centralizou em Londres, para uso da imprensa econômica, informações na Europa continental. Tempos depois, passou a captar informações dos Estados Unidos para uso dos assinantes europeus. E assim, nascia a Reuters (NATALI, 2004).

A agência foi a primeira a noticiar o assassinato do presidente Abraham Lincoln. A notícia vinha por malote e através do navio. Como a situação em Washington estava intensa, a agência interceptou a notícia quando o barco do correio ainda estava no litoral da Irlanda, de onde a notícia teria sido transmitida a Londres por telégrafo, o que se constituiu em um grande furo (NATALI, 2004).

Em 1848, nos Estados Unidos, seis jornais de Nova York haviam feito um pool para cobertura de eventos como o da guerra dos EUA e México, que resultou na anexação de várias regiões como a Califórnia, Nevada, Arizona, entre outros aos EUA. Segundo Batista Natali (2004), esse pool teria se chamado Associated Press, ou AP, que funciona até os dias de hoje .

No século XX, a mídia impressa se globaliza e entra na era das grandes corporações. Na era do grande capital, os trabalhadores assalariados jornalistas teriam de sofrer calados muitas vezes para seguir toda a orientação da linha editorial que o veículo adota. Mais claramente, podemos dizer que a mídia impressa em geral opera em função dos anunciantes e dos seus interesses políticos e econômicos.

Estas empresas, que por serem sociedades anônimas ou limitadas, possuem donos com opinião política e as difundem, já que as decisões aplicadas pelo governo e outras instituições poderiam afetar os seus poderes de influência sobre a opinião pública.

O caráter de formação do Estado capitalista brasileiro teria se dado de uma forma pactuada entre as elites brasileiras . Esta situação teria influenciado a formação da imprensa brasileira, que constituída pelas mesmas elites, surge com uma orientação vinculada à dependência do capital estrangeiro.

A situação é, por exemplo, muito diferente do que aconteceu na Inglaterra e na França, onde que os movimentos sociais participaram mais ativamente das decisões nacionais.

No entanto, as elites brasileiras continuaram ocupando os seus mesmos lugares na sociedade, através da transição reformada para o capitalismo, chamada por Mazzeo de via prussiana de desenvolvimento do capitalismo. O Brasil seria um caso comum de formação de extração colonial, ou seja, a via brasileira de desenvolvimento seria a via prussiano-colonial .

A maneira como isso se apresenta está vinculada ao período extenso que tivemos como colônia de Portugal, e a sua tradição exploradora vinculada à transição moderada à condição de Reino Unido, quando a imprensa chegou ao Brasil junto com a corte de D. João.

Portanto, a sociedade civil brasileira nunca teria participado ativamente dos acontecimentos transformadores no país que resultaram na imprensa de hoje, tendo assumido então uma posição política passiva.